dor depois da massagem

Dor depois da massagem é normal?

Você faz uma boa sessão de massagem, sente o corpo mais leve, chega em casa relaxado, dorme bem e, no dia seguinte, acorda com o pescoço rígido, a lombar desconfortável ou aquela sensação de estar “quebrado”.

Então surge a dúvida:

A massagem não funcionou?

Não necessariamente.

O que acontece durante uma sessão de massoterapia e o que acontece durante as horas seguintes são coisas diferentes.

Depois da massagem, você ainda vai passar várias horas dormindo. Nesse período entram outros fatores importantes: a posição do corpo, o travesseiro, o colchão, a qualidade do sono e até condições musculares que já existiam antes da sessão.

Por isso, cuidar do corpo não termina quando você levanta da maca.

A massagem pode ajudar, mas não controla as próximas horas

Durante uma sessão de massagem, o toque e as técnicas utilizadas podem favorecer relaxamento, conforto corporal e redução da sensação de tensão.

Algumas pessoas percebem imediatamente que os ombros estão mais leves, a lombar mais confortável ou o corpo mais relaxado.

Mas imagine o seguinte:

Você passa uma hora recebendo cuidados e depois permanece seis, sete ou oito horas em uma posição que não está confortável para o seu corpo.

É possível acordar novamente com alguma tensão.

Isso não significa que a posição de dormir “anulou” a massagem.

O que sabemos é que sono, dor e desconfortos musculoesqueléticos estão relacionados.

E essa relação merece atenção.

Sono e dor têm uma relação mais próxima do que parece

Dormir não significa simplesmente desligar o corpo.

O sono participa de diferentes processos de recuperação e também influencia a maneira como percebemos desconfortos e dores.

Pesquisas recentes mostram uma associação importante entre problemas de sono e dor musculoesquelética.

Em pessoas que já convivem com dores persistentes, uma noite de sono de pior qualidade pode inclusive estar relacionada a uma maior percepção de dor no dia seguinte.

E o caminho também pode acontecer ao contrário:

Quem está com dor pode ter dificuldade para dormir.

Por isso, existe uma relação que pode se retroalimentar:

dor pode prejudicar o sono e sono ruim pode aumentar a percepção da dor.

Então uma boa noite de sono pode complementar a massagem?

A massagem pode fazer parte do cuidado corporal.

O sono também.

Uma sessão pode proporcionar relaxamento e reduzir determinadas tensões, enquanto uma noite confortável oferece ao corpo horas em que ele não precisa lidar com as mesmas demandas da rotina diária.

Por outro lado, dormir em uma posição desconfortável ou passar a noite com o pescoço mal apoiado pode contribuir para que novas tensões apareçam.

A ideia, portanto, é criar condições melhores para que o corpo continue confortável depois da sessão.

Existe uma posição correta para dormir?

Não existe uma única posição perfeita para todas as pessoas.

Cada corpo tem características diferentes.

Largura dos ombros, formato da coluna, peso corporal, regiões doloridas, tipo de colchão e preferência pessoal influenciam o conforto durante o sono.

Mesmo assim, algumas posições podem favorecer ou dificultar um bom alinhamento corporal.

Dormir de lado

É uma das posições mais comuns.

Nesse caso, o travesseiro precisa ocupar adequadamente o espaço entre o ombro e a cabeça.

Se for muito baixo, a cabeça pode ficar inclinada em direção ao colchão.

Se for alto demais, ela pode permanecer inclinada para o lado oposto.

O objetivo não é deixar o pescoço completamente rígido, mas evitar uma posição exageradamente inclinada durante várias horas.

Algumas pessoas com desconforto lombar também se sentem melhor colocando um travesseiro entre os joelhos ao dormir de lado.

Dormir de barriga para cima

Também pode ser confortável para muitas pessoas.

Nessa posição, um travesseiro muito alto pode empurrar a cabeça excessivamente para a frente.

O ideal é que ele ofereça suporte sem criar uma flexão exagerada do pescoço.

Algumas pessoas também percebem maior conforto lombar utilizando um pequeno apoio abaixo dos joelhos.

Dormir de barriga para baixo

Dormir de bruços não é necessariamente proibido.

Mas essa posição normalmente exige que a cabeça permaneça girada para um dos lados por bastante tempo.

Também pode aumentar a extensão da região lombar em algumas pessoas.

Estudos sobre postura durante o sono encontraram uma associação entre dormir de bruços e maior ocorrência de desconforto lombar.

Se você costuma acordar frequentemente com cervical ou lombar dolorida, vale observar se a posição em que passa a noite pode estar contribuindo.

O travesseiro realmente faz diferença?

Independente de ser um “travesseiro ortopédico”, “travesseiro cervical” ou que utiliza determinado material, o principal objetivo do travesseiro é oferecer suporte confortável para a cabeça e o pescoço durante o sono.

A altura tem um papel importante. Um travesseiro muito alto ou muito baixo pode modificar o posicionamento da região cervical.

Estudos biomecânicos mostram que diferentes alturas alteram a pressão exercida sobre cabeça e pescoço e também modificam o alinhamento cervical.

Por isso, aquela sensação de acordar com o pescoço “travado” pode, em alguns casos, ter relação com o apoio utilizado durante a noite.

Existe um melhor tipo de travesseiro?

Até hoje, não temos evidência suficiente para afirmar que existe um material universalmente superior.

Espuma viscoelástica, látex, fibra, modelos anatômicos e outros formatos podem funcionar bem para algumas pessoas e mal para outras.

Pesquisas com pessoas que apresentam dor cervical mostram que o travesseiro pode influenciar sintomas ao acordar.

Mas revisões recentes não encontraram evidência forte o bastante para afirmar que um único material seja claramente o melhor.

Por isso, mais importante do que comprar o travesseiro mais caro ou o produto que aparece em uma propaganda é observar:

  • sua posição predominante para dormir;
  • a altura do travesseiro;
  • a largura dos seus ombros;
  • o quanto o travesseiro afunda;
  • se sua cabeça permanece confortável;
  • como você se sente ao acordar.

O próprio corpo costuma fornecer informações importantes.

E aqueles travesseiros cervicais com formatos diferentes?

Eles podem ser confortáveis para algumas pessoas.

Mas o formato por si só não garante que aquele travesseiro seja adequado para você.

Um modelo anatômico pode oferecer bom suporte para determinada pessoa e ser desconfortável para outra.

O mesmo acontece com espuma de memória, látex ou qualquer outro material.

A pergunta mais útil não é:

“Qual é o melhor travesseiro do mercado?”

Mas:

“Esse travesseiro oferece um apoio confortável para o meu corpo e para a posição em que eu durmo?”

E o colchão?

O colchão também entra nessa equação.

Existe uma crença antiga de que quem tem dor nas costas precisa dormir em uma superfície extremamente dura.

A evidência não confirma essa regra.

Em um conhecido estudo com pessoas que apresentavam dor lombar crônica, colchões de firmeza intermediária apresentaram resultados melhores do que colchões firmes em alguns aspectos relacionados à dor e incapacidade.

Isso não significa que todas as pessoas precisam comprar um colchão “médio”.

Significa apenas que:

mais duro não é automaticamente melhor.

Um colchão precisa oferecer suporte, mas também permitir que o corpo se acomode de maneira confortável.

Peso corporal, preferência, posição de dormir e características individuais também influenciam essa escolha.

“Dormi bem, mas acordei quebrado.” Como isso pode acontecer?

Dormir por muitas horas e dormir de maneira confortável não são necessariamente a mesma coisa.

Você pode permanecer sete ou oito horas na cama e ainda assim acordar com:

  • cervical rígida;
  • ombros tensionados;
  • lombar desconfortável;
  • sensação de peso;
  • dor muscular;
  • dificuldade para movimentar alguma região.

O travesseiro e a posição podem contribuir.

O colchão também.

Mas eles não são as únicas possibilidades.

O desconforto pode ter relação com a própria condição que levou você a procurar a massagem, com esforço físico realizado no dia anterior, atividade profissional, treino, estresse ou até uma sensibilidade temporária depois de um atendimento mais intenso.

É preciso observar o conjunto.

É normal sentir alguma sensibilidade depois da massagem?

Pode acontecer.

Dependendo das técnicas utilizadas, da intensidade da sessão e das regiões trabalhadas, algumas pessoas podem apresentar uma sensibilidade muscular passageira.

Isso é diferente de afirmar que “a massagem precisa doer para funcionar”.

Não precisa.

Também não existe necessidade de interpretar desconfortos posteriores como “toxinas saindo do corpo” ou algum processo de “desintoxicação”.

Quando existe sensibilidade, ela deve ser observada dentro do contexto daquele atendimento.

E se a dor for intensa, persistente ou muito diferente do habitual, merece investigação.

Como dormir depois de uma massagem?

Não existe uma posição obrigatória.

Você não precisa dormir de barriga para cima simplesmente porque recebeu uma massagem, nem comprar um travesseiro especial depois da sessão.

Alguns cuidados simples podem ser mais úteis:

Escolha a posição em que seu corpo se sente confortável

Não tente manter uma postura artificial durante a noite apenas porque alguém disse que ela é “correta”.

Conforto importa.

Observe o pescoço

Se você dorme de lado, perceba se a cabeça está inclinada demais.

Se dorme de barriga para cima, observe se o travesseiro empurra o queixo excessivamente em direção ao peito.

Use apoios quando eles realmente ajudarem

Um travesseiro entre os joelhos, abaixo deles ou abraçado junto ao corpo pode aumentar o conforto para algumas pessoas. Não é uma regra. É uma possibilidade.

Observe como você acorda

Seu corpo oferece pistas. Se você frequentemente acorda com a mesma região dolorida, vale observar a posição, o apoio e o colchão utilizados naquela noite.

Massagem e sono fazem parte do mesmo cuidado?

Eles podem fazer parte de uma rotina de cuidado corporal, mas cumprem funções diferentes.

A massagem não substitui uma boa noite de sono.

E dormir bem não necessariamente resolve tensões musculares, sobrecargas ou dores que precisam de avaliação.

Pensar nos dois em conjunto é mais interessante.

Durante a massagem, o corpo recebe um período de atenção, toque e relaxamento.

Durante o sono, ele passa várias horas em repouso.

A qualidade dessas horas também influencia como você se sente no dia seguinte.

É por isso que o cuidado corporal não precisa terminar quando a sessão acaba.

Quando a dor ao acordar merece atenção?

Acordar ocasionalmente com uma região desconfortável é relativamente comum.

Mas alguns sinais merecem uma avaliação profissional.

Procure orientação adequada se houver:

  • dor intensa ou progressivamente pior;
  • perda de força;
  • formigamento persistente;
  • perda de sensibilidade;
  • dor que irradia de forma importante para braços ou pernas;
  • trauma recente;
  • febre associada à dor;
  • ou sintomas que permanecem por vários dias sem melhora.

A massagem não termina na maca

Uma boa sessão pode proporcionar uma sensação importante de relaxamento e conforto.

Mas o corpo continuará vivendo depois dela.

Você vai caminhar, trabalhar, dirigir, usar o celular, treinar, sentar e, finalmente, passar várias horas dormindo.

Por isso, manter o bem-estar não depende de um único momento.

Massagem, sono, movimento, atividade física, descanso e hábitos cotidianos podem fazer parte da mesma lógica de cuidado.

Se você sai da sessão se sentindo muito bem, mas acorda repetidamente com pescoço ou costas doloridos, talvez a pergunta não seja apenas:

“A massagem funcionou?”

Talvez também valha perguntar:

“Como estou passando as horas em que meu corpo deveria estar descansando?”

Um convite ao cuidado

Se esta leitura fez sentido para você e despertou o desejo de cuidar mais do seu corpo e do seu bem-estar, convido você a conhecer os atendimentos que realizo em Natal/RN.

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