Cliente recebendo ventosaterapia nas costas com ventosas aplicadas sobre a região muscular.

Ventosaterapia deixa marcas no corpo?

Quem vê pela primeira vez aquelas marcas circulares avermelhadas ou arroxeadas nas costas de alguém pode imaginar que elas são uma consequência obrigatória da ventosaterapia. Em algumas pessoas, as marcas realmente ficam bastante visíveis. Em outras, aparecem apenas áreas discretamente avermelhadas.

Isso acontece porque a resposta da pele à sucção pode variar, assim como a intensidade, o tempo de aplicação e a técnica utilizada. Portanto, a ventosaterapia pode deixar marcas temporárias, mas elas não aparecem necessariamente com a mesma intensidade em todas as pessoas ou em todas as sessões.

Por que as ventosas podem deixar marcas?

Na ventosaterapia, uma pressão negativa é criada dentro da ventosa, produzindo sucção sobre a pele e os tecidos superficiais.

Esse estímulo provoca alterações locais na circulação e nos pequenos vasos sanguíneos. Dependendo da intensidade e da duração da pressão, podem surgir vermelhidão, pequenos pontos avermelhados e equimoses — alterações que dão origem às tradicionais marcas circulares. Estudos sobre os mecanismos da ventosaterapia descrevem dilatação dos pequenos vasos e, quando a pressão é suficiente, extravasamento de células sanguíneas para os tecidos próximos.

É por isso que algumas marcas lembram hematomas, embora sejam produzidas pelo efeito de sucção e não por uma pancada.

Por que algumas marcas ficam mais fortes?

A aparência após a aplicação depende, entre outros fatores, da pressão empregada e do tempo durante o qual a ventosa permanece no local.

Estudos experimentais demonstram que diferentes combinações de pressão e duração modificam a resposta da pele e do fluxo sanguíneo local. Pressões mais elevadas e aplicações prolongadas também aumentam o risco de efeitos indesejados, como formação de bolhas.

Isso ajuda a explicar por que não existe uma aparência única depois da sessão. Uma aplicação mais suave pode produzir apenas vermelhidão transitória, enquanto outra pode deixar círculos arroxeados mais evidentes.

A técnica deve ser ajustada ao objetivo do atendimento e à resposta da pessoa, e não utilizada com a intenção de produzir a marca mais escura possível.

Quanto tempo as marcas permanecem?

Na maioria das vezes, essas alterações são temporárias e desaparecem progressivamente.

A literatura descreve as marcas características da ventosaterapia como avermelhadas ou arroxeadas e indica que elas geralmente desaparecem dentro de aproximadamente uma a duas semanas, embora o tempo possa variar.

O National Center for Complementary and Integrative Health, dos Estados Unidos, também reconhece que a técnica deixa marcas temporárias na pele e alerta para possíveis efeitos adversos, entre eles alterações persistentes da coloração, cicatrizes, queimaduras e infecções.

Por isso, é importante informar previamente a pessoa sobre essa possibilidade, principalmente quando haverá exposição da região tratada nos dias seguintes.

Uma marca escura significa que havia mais “toxinas”?

Não há base científica para utilizar a cor das marcas como uma espécie de mapa de toxinas do organismo.

A coloração está relacionada às alterações provocadas pela sucção nos vasos e tecidos locais. A intensidade da marca não permite afirmar, por si só, que determinada região estava “mais intoxicada”, mais lesionada ou necessitando de tratamento mais intenso.

Da mesma forma, sair da sessão sem grandes marcas não significa que a ventosaterapia “não funcionou”.

Esse é um ponto importante porque a aparência visual pode criar a impressão de que uma marca muito roxa representa um tratamento mais potente. Na prática, produzir uma equimose intensa não deve ser o objetivo do atendimento.

A ventosaterapia é indicada para qualquer pessoa?

Não.

Existem situações que exigem cautela ou contraindicam a aplicação em determinadas regiões. Referências clínicas recomendam evitar ventosas sobre feridas abertas, fraturas e áreas com trombose venosa profunda, entre outras condições que precisam ser consideradas individualmente.

Também é importante observar o estado da pele antes do atendimento. O NCCIH alerta que a técnica pode agravar algumas condições dermatológicas, como eczema e psoríase, além de apresentar risco de queimaduras e infecções quando realizada inadequadamente.

A avaliação antes da sessão e a comunicação durante o atendimento fazem parte da segurança da técnica.

A marca não é o resultado

A ventosaterapia chama atenção justamente porque pode deixar sinais visíveis depois da sessão. Mas esses círculos não deveriam ser utilizados como medida de qualidade.

Uma aplicação responsável busca adequar pressão, tempo e região ao objetivo do atendimento e à tolerância individual. Marcas podem acontecer e geralmente desaparecem com o passar dos dias, mas não precisam ser perseguidas nem interpretadas como prova de que determinada região estava “cheia de toxinas”.

Na ventosaterapia, mais importante do que a cor que fica na pele é a forma como a técnica foi indicada e aplicada.

Aviso: Este conteúdo possui caráter informativo e educativo e não substitui diagnóstico, prescrição, avaliação ou acompanhamento por profissional legalmente habilitado.

Um convite ao cuidado

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